30.9.08

meu poço




centenas de anos passaram nas águas barrentas do poço da estrada

outras tantas gentes o abriram. destruíram. puseram de pé

milhares de vezes desceu e subiu o balde de barro ou madeira. depois de latão

beberam as cabras. beberam crianças. peregrinos. cavaleiros ricos

de passagem breve baixo ao sol escaldante que não escolhe a quem

massacrar os ossos. ressecar a pele. invadir a boca de pó cor de sangue


centenas de anos passaram nas águas. milhares de galões saltaram das bilhas

para os lábios escaldados. o poço lá está. modesto. de barro. amassado à mão

desfeito e refeito. testemunha antiga de vidas passadas

da minha também sabe ele alegrias descidas correntes por montes até

chegar junto dele. namoros escondidos. amores proibidos. tantas vidas outras.

nunca as contará.



foto de J. Le Montagner

8 comentários:

Betty Branco Martins disse...

_Pan_______________olá:))




adorei a imagem_______é magnifica



tanto________comoas




palavras_____...










beijO
bSemana

gabriela rocha martins disse...

e se contar?

o "mistério" compensa

e as palavras tecem filigranas
[ às vezes apetece.me ser um pouco "pirosa" .desculpa a minha sem vergonhice .conheces.me!!!!!! ]

em absoluto



.
um beijo

Madalena disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Madalena disse...

Um dia eu tinha um fio de ouro. Odeio ouro. Agora não parece. Consequências de caminhar para a reforma em Portugal... há sempre o "prego" para a se a fome chegar.

Atirei o fio e a medalha ao poço.

O meu pai e mais gente (devia haver mais gente) procuraram por todo o lado.

Calmo, ele perguntava (querido Homem!) vasculhando o quintal e sem me olhar "estará aqui?". Avessa que sou à mentira e por amor a ele respondia "aí não está!".

Quando chegou ao poço... eu silenciei.

Despejaram o poço. Deviam ter sido felizes para sempre. _Não foram_

Não me deram mais ouro. Aleluia! :)

Desculpa. Recordações de um poço. Mas este já não há.

BFS

D. disse...

Cada vez qe encontro sua escrita, uma surpresa há.
o poço.o ouro.o ocre.o barro. plalavras sempre há. bom de ver e lêr.

D.

Lídia disse...

... tantos segredos... tantas vidas.

Maria José Speglich disse...

Você é bem revoltado né?


Beijos!

* eu também sou.

Urgência de viver ! disse...

POrque não escreve mais, tudo estava muito bom nest elugar, para as fotos não tenho palavras